«Ontem à noite descobri um pequeno caroço num peito. Um caroço indiscutível que não conheço. Toco-o e ele move-se acompanhando o ritmo dos meus dedos mas, por mais que lhe mexa, não desaparece. Continuo a ter um pequeno caroço. Tenho um pequeno caroço? Como é possível que estes peitos tão pequenos, que nunca serviram nem para seduzir nem para amamentar, tenham um caroço?» É assim que se inicia um relato emocionante na primeira pessoa de uma mulher com cancro da mama.

Ultimamente tenho devorado todos os livros que falam sobre cancro da mama, relatos reais de pessoas que como eu já passaram por todas as fases que a doença nos obriga a passar, entre tantos que li, destaco o da Ecritora Mariena Michelena " Á noite sonhei que tinha peito" um relato emocionate narrado na primeira pessoa, e que tem tanta coisa em comum comigo.
A descoberta do " caroço" o medo do diagóstico,a angustia de ter que dar a noticia á Familia, a espera deseperada para a cirugia e daí por diante,todos os tratamentos, a horrivel Quimioterapia, a dor pela perda de cabelo tudo igual, ao ler revivi toda a angustia e medo que passei.
É incrivel como todos os sentimentos são iguais, esta mulher soube no mesmo ano que eu, que tinha cancro, todas as sua passagens coincidem com as minhas, mas tem algo de diferente, e algo muito importante, ela fez mastectomia radical nas duas mamas, e eu felizmente apenas fiz quadrectomia em uma, fui mais previligiada nesse aspecto, mas nem por isso deixei de passar por tudo tal qual ela passou.
Muitos amigos e familiares, não concordam que eu leia esses livros, acham que me estou a massacrar, já lhes fiz ver que não é nada disso, eu preciso saber de tudo o que diga respeito a esta minha condição, preciso comparar, preciso saber se o que sinto é normal, preciso de saber todos os detalhes por menores que sejam para conseguir ter uma vida minimamente feliz,sem os sobressaltos que apenas uma pequena gripe me possa causar, porque sei que o meu corpo fragilizado pelos quimicos não é o mesmo de antes do cancro.
Não vale a pena tentarem me dizer o contrario, que não devo ler, que não devo pesquisar, porque cada caso é um caso, mas sendo verdade, cada caso é um caso, todos eles nos levam ao sofrimento de igual modo, todas nós sentimos igual, por isso vou continuar a ler, vou continuar a obter toda a informação que eu ache necessária, porque alem de me ajudar a me entender melhor, ajuda-me a crescer como ser humano, a ser ainda mais solidária, amar ainda mais o próximo, e ajuda-me a deixar de pensar naquela frase que todas nós pensamos no momento em que somos confrontadas com o diagnóstico, a frase que martela na nossa cabeça " porquê eu? " e passamos a pensar no plural " porquê nós ", porque não, não somos todas iguais?, umas mais ricas, outras mais pobres, umas diplomadas, outras analfabetas, mas somos todas mulheres, que tivemos a pouca " sorte" de ser contempladas com algo que ninguem quer, mas se o fomos, resta-nos transformar a tragédia, em algo de positivo, e viver da melhor maneira possivel, um dia de cada vez, não olhar para trás, e nem almejar o futuro, viver apenas o presente e ser feliz.
Aconselho a ler o relato desta mulher, achei o livro extraordinário, cada página que fui lendo, fui crescendo ainda mais,(apesar das lagrimas que me vão caindo a cada passagem), e aos poucos vou deixando de sentir pena de mim mesma, afinal existem tantos casos piores que o meu!!!
Desculpem o desabafo, mas precisava partilhar com vocês, tudo aquilo que senti ao ler este livro.....
Beijinhos....